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XXIII e XXV.

Sábado, 27.11.10

Bem... Hoje vou partilhar 2 'livros' mágicos, muito mágicos... Isto porque uma amiga me pediu para passar umas músicas e respectivos acordes para ir tocar para a praça... Bela da Campanha de Natal da Secundária de Peniche. Enfim, fui até ao meu tesouro (uma caixa onde guardo coisas vá... Com bastante significado) e agora tenho aqui estes 2 diamantes comigo. Estes 'livros' são portanto... O primeiro é da XXIII Peregrinação a Fátima a pé, o segundo é da XXV. Então estes têm aquelas páginas em que somos nós que preenchemos ( "O meu espaço..."). Ora... Li o que tinha escrito nos dois e achei piada à diferença, desde já, da diferença de idade (2 anos) e das Peregrinações em si. Foram bastante distintas uma da outra. Passo a citar " O meu espaço..." da XXIII.

 

Já na IP6, eu e a Ophélie começámo-nos a juntar ao grupo da frente. Como não tinhamos muito com que nos entreter, começámos a contar as rotundas. Durante a viagem, a Ophélie ia arrotando e pronto, passou-se assim. Ganhei 4 bolhas até à hora de almoço e até chegar a Alcobaça mais 4 (as mesmas). Custou muito este primeiro dia, chegámos ao pavilhão em Alcobaça eu nem me mexia, tanta bolha... Recebi massagens, apoio de muita gente que não estava à espera. Neste primeiro dia cheguei a estar em 1º lugar da fila, como em último. A nossa grande 'ração de combate' é que se podia mesmo chamar ração. Não estava mau, mas podia estar melhor. No lanche desse dia comemos também a bela da gelatina e assim foi. Custou tanto, mas tanto a chegada a Alcobaça! Eu já nem sei a quantas andava... Ah! Ainda neste primeiro dia, à hora de almoço, roubaram-me a toalha, quer dizer, nem sei porquê, mas ok! A Mãe da Wi esteve sempre connosco, foi mesmo 5*. Este dia também não estava nada fácil para a a Ophélie, mas não desistiu e apoiámo-nos sempre uma à outra. No outro dia é que eu queria ver...

Este dia, não sei dizer se foi pior ou melhor que o 1º, porque a dor já era tanta que... Acordei cheia, cheia de dores nos pés e joelhos e, sinceramente, não estava a ver como me ia aguentar. E não sabia mesmo... Um bocado depois do pavilhão tive que ir para o carro de apoio. Não queria, mas não aguentava mais. Fiquei lá até à primeira paragem. Depois disso, fui a pé, mas não conseguia mesmo, voltei para lá. Mas lá, algo que me deu força para nunca mais parar. O enfermeiro disse que eu tinha que aguentar e pensar nos motivos que me levaram a fazer esta caminhada. E foi realmente isso, as palavras dele que nunca mais me fizeram entrar lá. Vieram-me as lágrimas e saí do carro para seguir caminho. Aí, tive a ajuda de muitas mãos, mesmo. Custou mesmo chegar a Fátima. No primeiro dia houve muita lágrima, principalmente durante os Km's de silêncio, mas neste dia... A chegada a Fátima foi... Mágica. Todos de mãos dadas, montes de pessoas à nossa espera... Só isso me comovia. Só de ver ao longe o Santuário comovia. Tudo nos fazia chorar ali. Dores, emoção, alegria, tristeza... Tudo. Tudo isso transbordou nas lágrimas. O encontro com Nossa Senhora foi grande. A seguir a isso, foram lágrimas e mais lágrimas, abraços... Mas daqueles mesmo fortes de estar a escrever isto e me virem lágrimas aos olhos... A primeira pessoa a que me abracei foi à Raquel, e nesse momento percebi o quanto ela é importante para mim. A mãe do Alain também me apoiou imenso, mas ainda mais a mãe da Ophélie que sempre acreditou em mim e isso foi mesmo importante... Chegámos ao Verbo Divino, risos, muito cansaço. Jantar, banho e (tentar) dormir...

Na 1º noite no Verbo Divino quase não consegui dormir e, foi estranho, pois estava realmente cansada. Neste dia fomos aos doentes profundos. De manhã tivemos a Celebração do Perdão, em que se foi confessar muita gente e, à noite, fomos para o Santuário fazer a oração do Terço e a Procissão das Velas. Gostei porque é algo que não fazemos todos os dias. Por fim, a 'discoteca Santuário'. Aí sim, o momento realmente verdadeiro. Estávamos muitos ali e era realmente difícil desabafar em frente de todos. Mas, afinal de contas, somos uma família e não há que hesitar, nunca. " Sou feliz, porque a vida é partilhar. Mais do que receber, a alegria está no dar." É, de facto, isso. Chorei, consegui compreender que não estava tudo bem comigo e não estava bem para comigo mesma. Por isso, temos que fazer com que realmente consigamos ver quem somos verdadeiramente. A visita de Amor à tarde não mexeu muito comigo, porque conviver com deficientes já era algo familiar. Em partes, surpreendeu, e temos nós que agradecer por ser assim. Este dia ainda teve alguns episódios engraçados, como a ida no transporte... Melhor! Na carrinha da Decormóvel, mais parecia um rapto. (...) Enfim, foi um dia cheio de emoções fortes. (...) Ao todo, posso dizer que foram 4 dias que me marcaram a vida... E os pés. Estou a brincar. Foram tantas as mãos que me ajudaram, tantas as pessoas que conheci. Não tenho palavras para descrever, ao certo, a caminhada, mas foi a mais especial da minha vida...

 

Peço desculpa aos leitores, não tinha a noção de que tinha escrito tanto... Mas esta foi só a XXIII. Vem aí a XXV... (é mais pequenino o 'espaço', prometo...)

 

XXV

 

 

Uma Peregrinação muito diferente da XXIII, sem dúvida. Outro espírito, outro sacrifício. Equipa de apoio excelente, pessoas excelentes. Tantas gerações. Somos 350 peregrinos!! Caminhada linda por Maria, outra grande experiência. Sinto-me tão, tão, tão feliz! Cansada, mas feliz. Pura por dentro. Foram poucos dias, mas têm tanto neles. Este primeiro dia foi... Sim, cansativo, mas lindo. O momento mais marcante foi a seguir ao momento de silêncio, quando chegámos ao 'Estica'. Chorei quando a Prof. Ana Varela me abraçou, chorámos as duas. De seguida, comecei a fraquejar mas, nessa altura, apareceu-me o meu Anjo ou madrinha, como lhe quiserem chamar. E ajudou-me até Alcobaça, juntamente com o Renato. No carro do Rasteiro, até ao pavilhão para jantar, fui com ela ao lado. Foi tão reconfortante, mesmo, mesmo. A mão dela na minha testa e a outra na minha mão. Estava-me a consolar, a proteger, a cuidar de mim, tal como em toda a caminhada. Os momentos ficam... (...) Este 3º dia foi, todo ele, bastante emotivo. De manhã, quem quisesse ia-se confessar. Eu fiquei-me pela capela, em reflexão, chorando e chorando... Deitando tudo cá para fora, para Maria me consolar. À noite, discoteca Santuário. Linda, linda, linda. Dediquei-a ao meu Anjo, fiz-lhe um agradecimento especial...!

 

E não, não escrevi absolutamente mais nada. Nem chegada ao Santuário, nem muitos, muitos momentos que marcaram. Não sei se faltou a vontade para escrever, mas tudo fica guardado no coração. Não esqueço esse momento da chegada, nem por nada. Tive o abraço tão esperado, tive emoções muito, muito diferentes da primeira Peregrinação. Por curiosidade, só fiz uma bolha, não fui ao carro de apoio, cheguei muito mais tranquila a Fátima, poucas dores. Ambas experiências muito, muito enriquecedoras.

As saudades apertam... E sabe tão bem recordar... Quem viveu sabe. Sente.

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publicado por themelodyofwriting às 02:54








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